sexta-feira, 17 de junho de 2011

Universitário japonês que testemunhou o terremoto em seu país trabalha como professor voluntário em Manaus

So Ilja, 22 anos, estudava na biblioteca da Universidade de Hokkaido quando o terremoto do dia 11 de março atingiu, às 14h, a ilha ao norte do Japão. Abalos sísmicos são freqüentes no país e o rapaz só procurou abrigo quando os tremores se intensificaram. Depois que o tremor de terra passou, Ilja procurou notícias de seus familiares, mas os telefones só voltariam a funcionar quatro horas mais tarde. Decidiu então ir a um shopping onde encontrou vários televisores ligados e só então se deu conta do tamanho da tragédia.

O terremoto que atingiu a costa nordeste do Japão foi o pior já registrado no país, alcançando magnitude 8,9 na escala de 0 a 10 que mede a intensidade dos tremores. Como o ponto central do tremor foi em meio ao oceano, o choque causou tsunamis de 10 metros de altura que destruíram cidades inteiras, além de provocar na usina atômica de Fukushima um dos maiores desastres nucleares da História. Cerca de 14 mil pessoas morreram e 9 mil continuam desaparecidas.

“Os trens só voltariam a funcionar à meia-noite e eu andei por seis horas para chegar em casa”, relata o estudante. “Em muitas cidades não havia água, nem energia. Estavam todos consternados.”

O último grande terremoto ocorrido no Japão atingiu a região metropolitana de Osaka em 1995. Em 20 segundos o abalo atingiu magnitude 7,3 e matou 6 mil pessoas, além de deixar 40 mil feridos e 300 mil desabrigados. Neste, ao contrário do que ocorreu no dia 11 de março, a devastação se deu em decorrência dos tremores em si, e não do tsunami gerado por eles.

Apenas três meses antes do terremoto atingir a costa japonesa, So Ilja havia sido aceito para uma vaga como voluntário ensinando Língua Japonesa em Manaus. As aulas seriam parte de um projeto do Alternativo de Petrópolis, em que cursos de Inglês e Japonês seriam ministrados a preços acessíveis à comunidade, promovendo capacitação para o mercado de trabalho e, principalmente, para o atendimento de turistas estrangeiros durante a Copa de 2014.

“A princípio eu não viria mais”, conta Ilja. “As pessoas no Japão estavam muito necessitadas e eu queria trabalhar como voluntário. Porém, a minha vinda era um compromisso com o Altpet e as pessoas de Manaus, então decidi vir.”

So Ilja saiu do Japão apenas uma semana após o terremoto ter atingido o seu país. Desde então tem acompanhado as notícias através do canal japonês NHK e da internet.

“Ainda me sinto muito triste, mas não posso fazer nada. Então decidi me concentrar no trabalho aqui em Manaus e ser voluntário no Japão quando voltar”, afirma ele.

Ilja já está em Manaus há três meses e já consegue se comunicar em Português. Ele mora em Petrópolis, na casa do presidente do AltPet, e dá aulas para a comunidade duas vezes por semana. Diz que achou estranho o café tão doce (no Japão, el é tomado sem açúcar) e o almoço, e não o jantar, ser a refeição mais importante. Quando chegou à cidade, foi recebido no aeroporto com um abraço por um dos membros da organização que o trouxe. Demonstrações físicas de afeto não são comuns na cultura japonesa e Ilja conta que ficou “petrificado”.

“As pessoas foram muito gentis comigo desde o começo. No início foi estranho, mas agora eu mesmo já estou trocando beijos e abraços como todo o mundo”.

Como o custo de uma ligação para o Japão é alto e os seus pais não sabem usar o Skype, Ilja não fala com eles desde que saiu do Japão. O único meio de comunicação entre ele e sua família são os e-mails que trocam freqüentemente. Ele conta que os pais gostam de ler a respeito do Brasil e de Manaus e dizem para que ele “tenha cuidado”.

No Japão, é comum as pessoas saírem à meia-noite nas ruas sem qualquer problema. Os índices de criminalidade no país vêm caindo constantemente há mais de oito anos. Entre 2009 e 2010, as ocorrências violentas caíram 6,9%, acompanhando a recuperação econômica do país. Em Manaus, as pessoas insistem para que Ilja não saia sozinho, principalmente à noite. Morando no bairro de Petrópolis ele viu, pela primeira vez, uma pessoa portando uma arma de fogo.

“Eu fiquei com muito medo e voltei para casa correndo”, ele conta. “Apesar disso eu sei que as pessoas de Manaus são boas e muito felizes. Japoneses não falam muito e leva-se tempo para construir um relacionamento, enquanto aqui eu já tenho diversos amigos.”

Por Felipe Libório

XTerra Brasil teve estrangeiros na primeira posição

Australiano Ben Allen e austríaca Carina Wasle levaram os trófeus de primeiro lugar no triathlon de elite, a modalidade mais importante do X-Terra Gobal Tuor 2011. A etapa brasileira do circuito mundial de Triathlon Corss Country está em sua sétima edição, e foi sediado pela primeira vez no Amazonas.

O X-Terra Brasil levou 300 atletas, de várias partes do mundo, para competir nas 15 modalidades de Triathlon na manhã deste sábado (11). A concentração dos competidores começou às 3h40 na base do Centro de Instrução de Guerra da Selva (Cigs), São Jorge, de onde seguiram para as margens do Rio Amazonas, e foram levados por 7 voadeiras e um ferryboat para a Base de Instrução Pedro Texeira (BI4), situada no Km48 da estrada Puraquequara.

Por volta das 6h da manhã, as embarcações fluviais do Cigs chegaram na BI4, onde os atletas começaram a se preparar para o circuito de 40,5 km, divididos entre 1,5km de natação, 30km de ciclismo e 9km de corrida, traçado dentro do chamado "Quadrado Maldito", área de treinamento do exército localizada entre as seis Bases de Instrução do Cigs. Às 8h os competidores começaram a prova nadando no Lago Puraquequara.
A vencedora da modalidade de elite feminina, a austríaca Carine Wasle, mesmo antes de vencer, parecia tranquila e confiante. "Eu vim de muito longe com o objetivo de ganhar. Sei que vou estar no top 3", e confirmou o que disse terminando o trajeto em 2h52. Após vencer a modalidade, a atleta confessou que estava preocupada com os possíveis ataques de animais. "Fiquei com um pouco de medo. Antes da prova estavam falando de piranhas e onças, mas, ainda bem, não enfrentei nenhum problema desse tipo", brinca a austríaca que já havia vencido este ano a mesma modalidade no X-Terra Africa do Sul.

Quem também cumpriu com a palavra foi o triatleta inglês Sam Gardner, vencedor da terceira posição na modalidade elite masculino no evento. O competidor participa há seis anos dos circuitos europeus, já conquistou este ano as primeiras posições nos X-Terras Philippines e Saipan, e veio pela primeira vez ao Brasil confiante que estaria entre os três primeiros colocados. "O clima e a vegetação são bem diferentes na Inglaterra, mas vim aqui para ficar entre o três primeiros, e acho que consigo", comentou Sam alguns minutos antes do incío da prova.

Mas o primeiro a terminar o percurso foi o australiano Benjamin Allen, que levou o primeiro lugar na categoria elite masculino com o tempo de 2h27. Esta foi a primeira competição dele no Brasil, e já suficiente para deixar boa impressão. "Gostei muito da experiência, é um lugar maravilhoso, todos aqui são muito amigáveis. Vou levar boas recomendações daqui para meus amigos", disse Ben Allen.

Brasileiros

A maioria dos brasileiros que participaram do evento eram do sudeste, de acordo com a assessoria. Mas foi o gaúcho Felipe Moletta que conseguiu a melhor posição nacional, levando a segunda posição da categoria elite masculino, com 2h29, chegando apenas dois minutos depois do primeiro lugar, Ben Allen. O atleta compete no X-Terra desde 2005, e há três anos na modalidade profissional. Essa foi a melhor classificação do atleta em toda a sua história no evento.

A paulista Sabrina Gobbo, vencedora do segundo lugar na modalidade elite feminino, ficou muito surpresa com sua classificação. A atleta, que já havia conquistado no ano passado a segunda posição do X-Terra Global Tour 2010, em Mangaratiba, Rio de Janeiro, este ano enfrentou muitas dificuldades em manter a classificação. "Não tive muito tempo de treinar este ano. Semana passada tive uma virose, e estou no meio do meu doutorado em Ecologia Aplicada. Fora isso, há muito tempo não tinham mulheres tão fortes competindo no X-Terra, estou muito surpresa com a minha colocação", explica.

Manauaras

A modalidade de revezamento contou com 23 equipes inscritas, e teve no primeiro lugar a equipe de Minas Gerais. Mas a segunda e a terceira posição foram ocupadas por equipes manauaras, únicos a representarem a cidade no pódio. Hemerson Guimarães, corredor da equipe vice-campeã, se mostrou feliz com a colocação. "É a primeira vez que nós participamos, foi um privilégio estar aqui entre tantos atletas experientes. A competição teve um nível bem difícil, e mesmo assim nossa equipe estreante conseguiu subir no pódio deixando muito sulista pra trás", brinca o atleta, que pratica a modalidade há 11 anos.

Esta mesma equipe contava com o nadador Matheus, de apenas 14 anos, que terminou o percurso de 1,5km em 20 minutos, e foi o quarto a terminar a prova de natação. "Eu fiquei sabendo do X-Terra pelo meu professor de musculação, perguntei do meu pai se podia participar e ele deixou. Treino a modalidade há 5 anos, e estou muito feliz com o resultado, acho que consegui uma boa posição", conta o atleta, que ainda está no nono ano do ensino fundamental, e terminou a prova de natação antes do atleta de elite Sam Gardner.

Por Mônica Dias

Novo método de transplante promete reduzir filas de espera por rim no Amazonas


Transplante de rim com órgão de doador falecido já é possível no Amazonas. A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) concluiu a estrutura necessária ao procedimento inédito no Estado, e nesta quarta-feira (15) cerca de 100 pessoas começaram a ser capacitadas para realizar o transplante. Dependo apenas das doações para dar início aos transplantes, a secretaria espera realizar a primeira operação ainda em junho.

A modalidade vai ampliar o serviço estadual de captação de órgãos e tecidos, além de possibilitar que o atendimento aos doentes renais crônicos seja feito com maior rapidez. O sistema de saúde local, que realizava apenas transplante de córneas e de rimintervivos (com órgão de pessoa viva, com compatibilidade genética com o paciente), tem atualmente cerca de 451 pacientes renais crônicos aguardando o transplante, de acordo com a secretaria.

A coordenadora estadual de Transplantes, Leny Passos, informa que a captação de rim já pode ser realizada em qualquer uma das unidades de urgência e emergência da rede de saúde pública e privada. Nessas unidades foram implantadas as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott), que serão as responsáveis pelo contato com a Central Estadual de Transplantes diante do surgimento de uma possível doação. Os doadores potenciais de órgãos são principalmente vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e trauma craniano, assistidos em Unidades de Terapia Intensiva. A doação pode ser feita entre 0 e 60 anos de idade e é preciso que o doador tenha órgãos saudáveis e nenhuma infecção.

A coordenadora esclarece ainda que a doação de órgãos e tecidos só pode ser feita a partir do diagnóstico de morte encefálica, que representa o fim irreversível da atividade cerebral e da vida, embora os outros órgãos continuem funcionando com o auxílio de aparelhos. Esse diagnóstico é feito por profissionais habilitados e por meio de exame específico - ecodoppler transcraneano - e é a partir daí que a família pode decidir sobre a doação.

Com o novo procedimento e campanhas para sensibilizar a população quanto a doação de órgãos, a secretaria pretende reduzir, a partir de um ano, entre 30% e 40% a lista de espera por um rim no Estado.

Por Mônica Dias

Vazamento deixa mancha de 300 metros no Rio Negro

Contêiner da empresa Látex da Amazônia vazou cerca de 16 toneladas de látex no Rio Negro, na tarde desta quinta-feira (16). O vazamento ocorreu por volta das 13h30, quando chovia forte, e causou uma mancha no Rio Negro que se expandiu num raio de aproximadamente 300 metros.

 A empresa SuperTerminais providenciou a contenção do produto no pátio, no bairro Colônia Oliveira Machado, zona sul de Manaus, utilizando areia, mas muito do volume que vazou escorreu em direção ao rio. As informações são da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

 Até o final da tarde desta quinta-feira, não havia confirmação sobre a composição química do produto. A Super Terminais afirma que o contêiner continha látex para a produção de preservativos, importado da Guatemala, não possuía teor tóxico e a sua composição era 60% de látex liquido, 39,5% de água e apenas 0,5% de amônia, que era usada como conservante.

 Um funcionário da empresa, que pediu para não ser identificado, informou que o empilhador não foi avisado de que a carga precisava de manuseio especial, e ao perceber o vazamento chamou a técnica de segurança. Segundo a assessoria da empresa, logo que o problema foi notado, a equipe de meio ambiente e a brigada de incêndio da Super Terminais trabalharam no isolamento da área e na contenção do vazamento.

 A Semmas deu um prazo de 24 horas para que a empresa Superterminais apresente, na sede do órgão, toda a documentação que comprove a composição química do produto que vazou de um contêiner que estava acondicionado no pátio da empresa. Além da composição química do produto, a empresa deverá apresentar também relatório com todos os procedimentos adotados no caso, a licença ambiental para transporte da carga e a destinação dos resíduos coletados.

 Por Mônica Dias

Carga Tributária - O grande desafio para este ano

Por Henrique Xavier
Durante a corrida presidencial muito se falou sobre carga tributária. Os principais candidatos inseriram em suas propostas a redução desse mal que aflige o país e ceifa empregos, investimentos e desenvolvimentos. Não há dúvidas de que a tributação do mercado doméstico é elevada quando observada sob a ótica de um país em franco desenvolvimento.

Passados cinco meses do novo governo, percebe-se que dificilmente a presidente Dilma irá reduzi-la, pois não é crível que se abra mão de realizações que vão demandar investimentos e consequente arrecadação. “Isto se dá, porque a realidade do cargo é diferente do ambiente de preparação do projeto do candidato. A política atual é feita com alianças e a presidente não tem como fugir dessa conjuntura, portanto deverá lidar com o interesse desenvolvimentista de um país em crescimento, que demanda investimentos”, explicou o cientista político e presidente do Sindicato do Sociólogos do Amazonas, Ronaldo Antônio dos Santos.


Burocracia tributária, sinônimo de informalidade

Por mais que tenhamos ouvido sobre redução de carga tributária, salvo casos pontuais de desoneração de setores específicos em algumas regiões, isso somente vai acontecer, se é que irá ocorrer, com tempo e interesse político. O Amazonas, por exemplo, continuará sendo, felizmente, uma das regiões menos tributadas do país, embora a burocracia tributária gerenciada no Estado seja ainda pior que a alta carga de impostos presente no resto do país, vez que leva pessoas à informalidade, incentiva o aumento do custo dos produtos, gera confusão com as diversas interpretações da lei de incentivos fiscais, cria uma guerra silenciosa com regiões naturalmente concorrentes, como São Paulo e Minas, e resulta em instabilidade jurídica. As empresas instaladas no Amazonas, a exemplo do que ocorre nos outros Estados, gastaram 2.600 horas com obrigações tributárias em 2010, conforme estudo do CNI (Confederação Nacional da Indústria). “Toda essa burocracia gera altos custos financeiros e instabilidade, uma vez que, por muitas vezes, a indústria cumpre determinada norma, porém, é autuada com pesada multa, pela simples razão do agente fiscal ter entendimento diferente sobre a mesma norma”, asseverou o vice-presidente da CNI, José Nasser em conversa com o LAB F5.

Todas as empresas nacionais, de todos os portes, mesmo as que estão no Simples, sofrem para atender todas as normas tributárias e compreender a legislação atual. Uma legislação tributária clara, simples, direta, que evite divergências, interpretações e contestações judiciais é o que os empresários esperam para os próximos meses. O momento político para a reforma tributária se apresenta para Dilma Roussef como um grande desafio e a presidente não poderá postergá-lo, sob pena de lançar o país em mais oito anos de escuridão tributária.

A festa vai começar!

por Beatriz Goes



Está quase tudo pronto para o 46° festival Folclórico de Parintins. Em exatamente uma semana, nos dias 24, 25 e 26 de junho, os bois Garantido e Caprichoso entram em cena para mais uma vez mostrar porque esse festival tem porte e significado que poderiam torná-lo patrimônio cultural da humanidade.
Neste ano o azul e branco defende o tema “A Magia que Encanta”, resgatando o encantamento e magia da festa na ilha Tupinambarana. Segundo o diretor de projeto do conselho de arte do Caprichoso, Gil Gonçalves, o bumbá levará para a arena algo inovador, que vai impactar toda a torcida e todos que assistirem ao Festival Folclórico de Parintins.
Já o boi de Lindolfo Monteverde vem apostando no tema “Miscigenação”, falando da mestiçagem que compõe não só as populações amazônicas, mas o povo brasileiro. Segundo o presidente da Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido, Telo Pinto, o tema deste ano é o fechamento de uma trilogia que começou há dois anos. “Em nossos dois últimos temas, revelamos o sentimento que move a nação vermelha e branca, emoção e paixão. Em 2011, vamos compor a trilogia desse amor tendo como foco a miscigenação que        resultou nesta gente simples e mestiça que compõe a nossa galera ”.
Mais de 100 mil pessoas são atraídas anualmente para o Festival de Parintins: a cada noite, o resultado dos ensaios nos QG’s de Caprichoso e Garantido é apresentado através de um conjunto folclórico marcado por alegorias impressionantes, coreografias inusitadas e fantasias impecáveis. Roberto Reis, artista responsável pela confecção das fantasias de vários itens oficiais do Garantido afirma que em 2011 o boi bumbá traz novidades para a arena. “O boi bumbá Garantido nunca deixou de ter novidades e eu mais um ano vou buscar inovar e fazer um trabalho bonito que todo ano venho fazendo”, destaca Reis.
Que comece mais um festival. E que a “A Magia que Encanta” do Caprichoso e a “Miscigenação” do Garantido transformem Parintins, pelo menos por três noites, no centro cultural do mundo.

Programação
Festival Folclórico de Parintins
15/06/2011; 17/06/2011; 18/06/2011
Apresentação de quadrilhas e grupos de dança
Local: Praça dos Bois

19/06/2011
Apresentação dos bois-mirins Estrelinha, Tupi e Mineirinho
Local: Praça dos Bois

23/06/2011
Festa dos Visitantes com atração internacional: banda australiana Men at Work
Local: Planeta Boi
Sorteio da ordem de apresentação de Caprichoso e Garantido
Local: Praça da Catedral de Nossa Senhora do Carmo
Obs: O feriado Corpus Christi celebrado no dia 23 foi antecipado para o dia 16 de junho na ilha de Parintins

24/06/2011; 25/06/2011; 26/06/2011
Apresentação dos bois Garantido e Caprichoso
Local: Bumbódromo
Palcos alternativos com música ao vivo que funcionarão antes e depois da apresentação dos bumbás
Local: Praça do Comunas, Chapão, Cristo Redentor e complexo do Cantagalo na comunidades do Aninga


Falta de informação ou falta de interesse?


  Por Anna Paula Reiner e Rianna Carvalho

Fonte: http://diarydebicicleta.blogspot.com/

Nosso primeiro jornal impresso do período teve como tema norteador o Plano Diretor (PD) da cidade de Manaus. O PD visa preservar os bens e áreas referentes ao espaço urbano. É elaborado a partir de um conjunto de leis federais e municipais que estabelecem como deve ocorrer a ocupação do município. Além disso, ele é um processo de discussão pública que analisa e avalia a cidade atualmente para depois, formulá-la do jeito que deve ser.

Saber se a população conhece o Plano Diretor e sabe pra que serve foi a nossa principal preocupação, já que o PD deve ser feito em conjunto – governantes e sociedade. Para que assim, todos os reais problemas que a população enfrenta seja dito e que àqueles que governam nossa cidade possam fazer algo para mudar isso.

Por isso, nos dias 14 e 15 de Abril o LabF5 foi as ruas e perguntou a  60 pessoas se elas conheciam o Plano Diretor da Cidade de Manaus. Apenas 12% disseram que já ouviram falar sobre o assunto e 88% disseram não saber do que se trata.

Com base nas respostas obtidas, ficam as seguintes perguntas. É correto afirmar que a culpa dessa falta de informação é somente dos políticos? Ou a população também é culpada por não se interessar pelo assunto?

 Para Auxiliomar Silva Ugartes, professor de História da UFAM e Doutor em História Social, apesar da culpa ser mútua, a população ainda tem uma parcela maior. “As pessoas estão preocupadas apenas com o seu cotidiano, com a sua vida pessoal, e esse tipo de comportamento faz com que a população deixe de lado essa busca por interesses coletivos, que diz respeito a toda a sociedade como, por exemplo, o Plano Diretor”, afirma. Mas, o professor salienta que o poder executivo municipal também tem sua parcela de culpa, por omitir as ações e planejamentos feitos pelo próprio órgão.

Essa falta de interesse pôde ser observada ao longo de algumas entrevistas feita com os populares e alguns estudantes da UFAM.  Muitos dos entrevistados estavam com jornais diários em mãos e mesmo assim não sabiam do que se tratava o Plano Diretor.

Ketlen da Silva, Eliel Vieira, Erica Correa e Mardson Ferreira
Os estudantes Ketlen da Silva, Eliel Vieira, Erica Correa e Mardson Ferreira, estudantes do 3º ano do ensino médio, disseram nunca ter ouvido falar sobre o Plano Diretor. A vendedora Stefane Cristine da Silva de Andrade, o autônomo Marcos Pinto, o taxista José de Melo, o Moto taxista Ademir e diversos outros também não sabiam do que se tratava o Plano Diretor.

Stefane Cristine
Mas, há também, uma pequena parcela da população que ainda se interessa sobre esses assuntos fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Um dos entrevistados, o Sr. Salvador Pontes nos disse que “o Plano Diretor deve ser utilizado para organizar ou reorganizar a cidade” - e, com isso, fez uma crítica aos governantes - “por não conseguirem aplicar o Plano Diretor como deveriam, evitando as invasões e, principalmente educando a população para que ela faça o seu planejamento familiar de forma adequada”.

O Policial Militar, Rodrigo Oliveira fez uma crítica pelo ponto de vista de sua profissão. Ele disse que “o crescimento desordenado e a falta de infraestrutura devem ser fiscalizados com mais rigor pelo governo. As favelas e invasões são consequência disso. Com o bom funcionamento e perfeita aplicação do Plano Diretor, a polícia, bombeiros e diversos órgãos teriam acesso mais facilitado a todas as áreas da cidade”.

Renato Lima
Renato Lima, Supervisor de Manutenção, mostrou que conhece as características gerais do Plano Diretor. “O Plano Diretor tem que ser feito pela Câmara Municipal de Dez em Dez anos. Devem ouvir a população pra tentar melhorar a cidade. Aonde devem ficar os comércios, como devem ser as calçadas, ruas... Tudo faz parte do Plano Diretor. Eu só fiquei sabendo por que vi uma notícia no jornal. A Câmara não me orientou em nada ainda.”

Outro entrevistado, o estudante Márcio Braz, do 7º período de Ciências Sociais da UFAM, fez uma crítica dizendo que “o Plano Diretor está refém da SEMEF e da Secretaria de Planejamento, fazendo com que o Plano seja voltado apenas para o lado arquitetônico e urbanístico da cidade”. Com isso, há uma exclusão do lado cultural ocasionando o empobrecimento do circuito cultural da cidade.

A saída para este problema é fazer um trabalho em conjunto entre a prefeitura e a população, para que as necessidades que envolvam o Plano Diretor da Cidade possam ser supridas. Facilitando o diálogo entre esses dois segmentos da sociedade, a população entenderia que o seu papel é fundamental na organização do meio em que vive. Basta que o poder público queira que a população entenda o que é esse Plano e a informe de maneira adequada.